Quando nada parece fazer sentido…

LimboGame1

Quando nada parece fazer sentido na tua vida e o mundo continua sem esperar por ti. Quando chegas aquele limbo entre a razão e a desistência. Em que páras e choras, não pelo que perdeste mas pelo que não conseguiste conquistar. Quando olhas para trás e vês que os teus sonhos não te acompanharam ao longo destes anos. Quando a realidade é mais dura de tudo aquilo que desejaste. Quando não consegues mais enxergar um futuro à tua frente, pois estás prestes a desistir.

O que te faz mudar? Nada em concreto, apenas dás mais uma hipótese à vida e tentas. Vais em frente e arriscas. Quando te agarras a uma pequena coisa que seja, por exemplo quando tens um ser que depende de ti e lhe prometeste nunca o abandonar. Quando não queres quebrar essa promessa, porque no fundo ele não tem culpa das tuas desilusões. Prometeste e por ele vais continuar a lutar.

Desistir pode ser visto como um ato de cobardia, mas muitas vezes não sabemos o que está por de trás para levar aquela pessoa a desistir. Talvez tenha lutado demais e esteja cansada. Não podemos julgar sem conhecer os motivos que levaram alguém a desistir. É algo muito mais profundo do que fraqueza. Podem ter sido anos de luta perdida, anos em que o Não e portas fechadas foram constantes realidades. Mas se a pessoa se ergue e tenta, não é fraca, é resistente. Apesar da dor imensa que carrega às costas, da dor que carrega no peito há anos, decide continuar. Apesar de diariamente sorrir para o mundo escondendo a dor que carrega para ser socialmente aceite e enganar a depressão. Ela ergue-se e continua a lutar.

Crescer é duro, é ter consciência que o mundo não foi desenhado para os teus sonhos. Viver em sociedade é sufocante. A sociedade exige mais de ti do que tu exiges de ti próprio. A azáfama diária funciona como um ansiolítico, que faz adormecer aquela dor de ser, pois não tens tempo para pensar nela.  Mas quando páras e sentes a dor cá dentro tens vontade de sentir uma dor física. Ao menos terias um motivo e uma causa para a dor física. A dor da alma é exasperante. Mata-nos ou faz nos desejar a morte. É uma dor que nos embarga o ser e desejas acordar noutra vida sem qualquer memória do que foste até ao momento em que fechaste os olhos.

Quem te conhece sabe que há algo de errado contigo. Mas tu não tens respostas para dar, porque nem tu sabes  como transcrever. Sorris e dizes que está tudo bem e que tudo vai passar. Embora saibas no fundo que nada disso corresponde à verdade. Não sabes como sair desse limbo e não há nada nem ninguém, além de ti próprio, que possa encontrar uma saída sem qualquer lesão. Continuas a sorrir para enganar a alma e o mundo, para pareceres normal. Só tu conheces esse mundo que trazes dentro. Esse mundo que um dia já teve cor e cujo ar era limpo e etéreo. Como se uma guerra tivesse desgastado as cores e o sonho desse lugar à podridão. Mas tu continuas a sorrir para cobrir esse mundo com uma capa colorida, para que ninguém o possa vislumbrar.

Desistir não é solução e tu sabes disso. É algo lógico mesmo que o teu pequeno mundo não faça qualquer sentido. Sabes que tens de continuar na corda bamba sem cair, mesmo que espreites o precipício e ele te seja mais reconfortante do que os passos que tens ainda para dar. Sabes que vais ser julgado se tropeçares de propósito, que nunca ninguém vai conseguir compreender porque caíste. Enquanto tiveres esta consciência nada está perdido, é porque no fundo tu queres continuar, só estás a perder as forças a cada dia que passa. Mas agarra-te às pequenas coisas que ainda te fazem andar. Vais encontrar um chão seguro no final dessa corda. Acredita, não o escreveria se não achasse que tivesse sentido. Não te posso prometer que a dor vai passar tão celeremente quanto gostarias, mas vai atenuar. Tu mereces ser feliz, ainda que os teus fantasmas te gritem o contrário. Dedica um pouco de tempo a ti próprio todos os dias, escuta os teus medos, cuida deles como se fossem as tuas feridas.

 

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