Quando nada parece fazer sentido…

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Quando nada parece fazer sentido na tua vida e o mundo continua sem esperar por ti. Quando chegas aquele limbo entre a razão e a desistência. Em que páras e choras, não pelo que perdeste mas pelo que não conseguiste conquistar. Quando olhas para trás e vês que os teus sonhos não te acompanharam ao longo destes anos. Quando a realidade é mais dura de tudo aquilo que desejaste. Quando não consegues mais enxergar um futuro à tua frente, pois estás prestes a desistir.

O que te faz mudar? Nada em concreto, apenas dás mais uma hipótese à vida e tentas. Vais em frente e arriscas. Quando te agarras a uma pequena coisa que seja, por exemplo quando tens um ser que depende de ti e lhe prometeste nunca o abandonar. Quando não queres quebrar essa promessa, porque no fundo ele não tem culpa das tuas desilusões. Prometeste e por ele vais continuar a lutar.

Desistir pode ser visto como um ato de cobardia, mas muitas vezes não sabemos o que está por de trás para levar aquela pessoa a desistir. Talvez tenha lutado demais e esteja cansada. Não podemos julgar sem conhecer os motivos que levaram alguém a desistir. É algo muito mais profundo do que fraqueza. Podem ter sido anos de luta perdida, anos em que o Não e portas fechadas foram constantes realidades. Mas se a pessoa se ergue e tenta, não é fraca, é resistente. Apesar da dor imensa que carrega às costas, da dor que carrega no peito há anos, decide continuar. Apesar de diariamente sorrir para o mundo escondendo a dor que carrega para ser socialmente aceite e enganar a depressão. Ela ergue-se e continua a lutar.

Crescer é duro, é ter consciência que o mundo não foi desenhado para os teus sonhos. Viver em sociedade é sufocante. A sociedade exige mais de ti do que tu exiges de ti próprio. A azáfama diária funciona como um ansiolítico, que faz adormecer aquela dor de ser, pois não tens tempo para pensar nela.  Mas quando páras e sentes a dor cá dentro tens vontade de sentir uma dor física. Ao menos terias um motivo e uma causa para a dor física. A dor da alma é exasperante. Mata-nos ou faz nos desejar a morte. É uma dor que nos embarga o ser e desejas acordar noutra vida sem qualquer memória do que foste até ao momento em que fechaste os olhos.

Quem te conhece sabe que há algo de errado contigo. Mas tu não tens respostas para dar, porque nem tu sabes  como transcrever. Sorris e dizes que está tudo bem e que tudo vai passar. Embora saibas no fundo que nada disso corresponde à verdade. Não sabes como sair desse limbo e não há nada nem ninguém, além de ti próprio, que possa encontrar uma saída sem qualquer lesão. Continuas a sorrir para enganar a alma e o mundo, para pareceres normal. Só tu conheces esse mundo que trazes dentro. Esse mundo que um dia já teve cor e cujo ar era limpo e etéreo. Como se uma guerra tivesse desgastado as cores e o sonho desse lugar à podridão. Mas tu continuas a sorrir para cobrir esse mundo com uma capa colorida, para que ninguém o possa vislumbrar.

Desistir não é solução e tu sabes disso. É algo lógico mesmo que o teu pequeno mundo não faça qualquer sentido. Sabes que tens de continuar na corda bamba sem cair, mesmo que espreites o precipício e ele te seja mais reconfortante do que os passos que tens ainda para dar. Sabes que vais ser julgado se tropeçares de propósito, que nunca ninguém vai conseguir compreender porque caíste. Enquanto tiveres esta consciência nada está perdido, é porque no fundo tu queres continuar, só estás a perder as forças a cada dia que passa. Mas agarra-te às pequenas coisas que ainda te fazem andar. Vais encontrar um chão seguro no final dessa corda. Acredita, não o escreveria se não achasse que tivesse sentido. Não te posso prometer que a dor vai passar tão celeremente quanto gostarias, mas vai atenuar. Tu mereces ser feliz, ainda que os teus fantasmas te gritem o contrário. Dedica um pouco de tempo a ti próprio todos os dias, escuta os teus medos, cuida deles como se fossem as tuas feridas.

 

Caminhos: Quénia dia 2: Masai Mara

Há muitos posts atrás iniciei um breve diário de bordo sobre uma das mais extraordinárias viagens que fiz até hoje, mas por falta de tempo deixei para trás. Hoje num soslaio de nostalgia escrevi sobre o dia 2.

se quiserem ler o primeiro dia é só clicarem aqui

Dia 2# Masai Mara

Acordámos com o crepúsculo e de olheiras em bico, e fomos ter com o Peter, o guia que nos iria acompanhar durante aquela primeira semana.

Aproveito para deixar aqui o nome da agência que contratámos : Explorer Kenya Tours and Travel 

De referir que graças ao talento da minha mana gastámos muito menos do que gastaríamos através de uma agência de Viajem. Ela organizou tudo à distância diretamente com agências, hotéis, voos intercidades do Quénia. Uma relíquia esta minha irmã.

Deixámos Nairobi e rumámos a Masai Mara numa carrinha que ia ser o nosso meio de transporte na próxima semana. O Peter não era muito falador, mas era simpático e atencioso.  Tínhamos quilómetros e quilómetros à nossa espera sobre estrads sinuosas e sobre um calor abrasador.

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Viver

Cada Inverno que vivo

É um novo recordar

Cada Verão que assisto

É um velho despertar

Esta Primavera de mim

É enredo do momento

Num dia sou pomar de cetim

Noutro sou mar em tormento

Ai, se eu pudesse ser manhã

E na noite acordar

Seria o sol que não entranha

E a lua ao despertar

Ai esta angustia atormenta

Saber que fui sol e lua

E o medo que me enfrenta

É a morte, pois sou sua

Não posso ser ontem nem depois

Sou o derradeiro agora

Oh morte, por quem sois?

Sois o instante em cada hora…

Ana Diogo (2008-05-30)

Republicado a partir de Poesia e Desencontros da alma 

Dicas de quem percebe

Hello,

Graças a uma dica de uma amiga e Blogger consegui exportar os posts do endereço antigo para o novo.  Aliás aproveitem para visitar o espaço dela que é bastante diversificado e interessante e descubram este mundo de moda e estilo de vida em Telita Life Style.

Caso pretendam fazer o mesmo é só acederem às definições do Blogger > Outros > Conteúdo (páginas, mensagens e comentários) e guardar o ficheiro XML no vosso computador. De Seguida acedem às definições do WordPress > Import  e escolhem o dominio do blog anterior, cliquem em import e voilá a magia acontece. Continuar lendo

“Quando não souberes o que fazer pensa no que não queres para ti. “

Este foi sem dúvida o melhor conselho que alguém, muito especial para mim, me deu um dia. Na altura esta mensagem chegou porque estava numa relação que indubitavelmente me estava a destruir. Mas isto aplica-se  em tudo na vida.

É mais fácil definir metas quando listamos as coisas que não queremos para a nossa vida, do que começar pelo que queremos, pois muitas vezes temos necessidade de mudar mas não sabemos por onde começar.

Este conselho foi me dado há muitos anos atrás quando lutava para que uma relação de anos funcionasse, mas não tinha ainda chegado à conclusão que era a única que estava a lutar por isso. Sabem quando todos os que estão à vossa volta vêem que a relação onde estão não está a funcionar mas não conseguem perceber isso, embora esteja à vossa frente todos os indicadores óbvios de que é tempo de dizer “chega”? Foi o que me aconteceu, até que alguém se chegou ao pé de mim e perguntou “porque é que estás numa relação onde notoriamente não és feliz?” A minha resposta era óbvia “Não sei, mas eu gosto dele” . E eis que chega o conselho sábio “Se não sabes o porquê, pensa no que não queres numa relação  e principalmente no que não queres para o teu futuro e depois reflete se vale a pena ou não continuar a lutar. ” Continuar lendo

Para onde vou?


Ando sem inspiração para escrever. Nem sempre as palavras fluem como gostaria, embora dentro da minha mente as palavras corram de um lado para o outro em alvoroço mas desencontram-se a meio do caminho.
Sempre tive blogs , já conto com um historial imenso de blogs, desde pelo menos 2004. Agora fazendo as contas já passaram 13 anos. Como é possível?  Ainda era uma miúda cheia de sonhos, e o conteúdo era completamente diferente do atual. Eram na sua maioria posts de poemas  e pensamentos.  Contudo sinto que o conteúdo  era mais coeso  do que é atualmente. Agora escrevo sobre temas dispersos, escrevo o que me vem a cabeça, o que nem sempre é interessante.

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Subjetividade

Podem até cair folhas da minha árvore, aquelas que já podres não se sustentam nos galhos, mas as boas não caem sozinhas. Há quem as arranque sem pedir permissão,mas também há a quem convide a colhe-las.

Os frutos esses só eu os colho e dou a provar a quem me mostre o que é amar sem pedir nada em troca.